Direto de PIEI
   Bicho-gringo




Para ouvir o disco novo do Neil Young clique nesse link. Está demais. Descendo o sarrafo no Bush. Parece que ele gravou tudo em três dias com participação de amigos e de um coral de mais de 100 pessoas. Faixas como "Impeach the president", em que ele pede a cabeça do Alfred E. Newman que mora na Casa Branca, já estão dando o que falar nos EUA.


www.hyfntrak.com/neilyoung2/AFF23233/



Escrito por Lauro Mesquita às 14h22
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   Quero saber dos malucos beleza

O point da comunidade alternativa

O bicho-grilo fã de Raul Seixas e Zé Ramalho, que pode ser encontrado em qualquer canto do País, é uma das figuras mais legais que existe no Brasil. Ele vende trampos de durepox na rua, conserta carros em oficinas e borracharias, tem bar, defende as coisas que ele gosta –sempre naquele tradicional sotaque de maconheiro – e freqüenta a porta do Centro Cultural São Paulo, São Tomé das Letras ou qualquer acampamento de praia. É um ícone cultural brasileiro. Tanto quanto os meninos que amam as bandas de metal.

Só de ter entre seus personagens um figura como esses – o Zé Elétrico –, é claro que o filme Árido Movie já tem méritos demais. Interpretado muito bem pelo José Dumond, ele é descrito no release do filme como um índio remanescente da região (sertão pernambucano) e dono do posto de gasolina (o OPOSTO), localizado na entrada da cidade para onde convergem os principais acontecimentos do filme. Além disso, ele é um daqueles caras que usa todo esse background bicho-grilo e suas origens indígenas pra filosofar sobre a natureza, o capitalismo e o gosto pela erva do capeta.

O forte do filme, ao meu ver, é não ficar só no papo do sertão mítico e cheio de belezuras – que também rende coisas boas –, mas usar aquilo pra falar como a temática sobre as relações com a cidade e com o capital político gerado pela pobreza, a falta de água, a devastação da cultura indígena e a violência da região do polígono da maconha.

Papo de maconheiro

Não é por acaso que o núcleo maconheiro da trama tenha sido o que mais tenha me chamado a atenção. Pra explicar o  porquê, é melhor contar um pouco do filme. A história central é a seguinte: o apaulistado Jonas (Guilherme Webber) – homem do tempo que entra todos os dias em rede nacional para falar de precipitações e massas de ar – recebe a notícia que seu pai foi assassinado. Mesmo sem mal conhecer o falecido, ele decide atender o pedido de sua avó –outra completa desconhecida –e ir ao enterro em uma cidadezinha pequena encrustada no sertão amarelo e pedregoso de Pernambuco.

Chegando lá, o neto é ordenado a buscar vingança pela morte do pai e matar o índio responsável pelo assassinato, que parece ter cometido o crime pra defender a honra da irmã. A coisa vai se desenrolar nas eleições locais, na política da seca e na forte produção local de maconha, mas isso é outra história. Voltando aos bicho-grilos...

Com a desculpa do apoio ao amigo, os três amigos maconheiros do homem do tempo resolvem segui-lo, pra ver se conseguem desbravar uma plantação da erva. Rapidinho, eles acabam conhecendo o bar do posto do Zé Elétrico e a maravilhosa índia Wedja (Suyanne Moreira). Daí, pra tirar eles do alcance da jukebox do Oposto só com a motivação maior.

Os três personagens – Bob (Selton Mello), Vera (Mariana Lima) e Falcão (Gustavo Falcão) – lembram um pouco os quadrinhos dos Freak Brothers, do Gilbert Shelton. Tanto naquele desespero por maconha, na falta de caráter e na despreocupação completa com a situação da seca , como na conversa fiada que não vai pra lugar nenhum, repleto de chavões. E a trajetória deles – do encontro com o personagem encarnado pelo José Dumond  ao seu trágico  bota-fora para o Recife –acaba rendendo o que o filme tem de melhor.

Bicho-grilo

Acaba parecendo muito um drug movie mesmo. Isso muito também pela ação do Zé Elétrico, que também morou em São Paulo e se meteu nos negócios mais variados. Muito mais que um retirante do semi-árido ou um representante da sabedoria popular – que a narrativa brasileira já retratou das mais diversas formas. Zé Elétrico é um bicho-grilo. É outra categoria de personagem que não cabe na descrição dos romaces realistas dos anos 30, assim como o brega que toca nas radiolas de seu posto ou o Raul Seixas que estampa uma de suas camisetas.

O bicho-grilo é meio essa versão brasileira do hippie. Eu não tenho dados históricos e muito menos sociológicos. Minha hipótese é que tudo começou na importação dos valores da contra-cultura, do paz e amor nos anos 70. Se até então, essa coisa era meio de jovens mais da classe média, que gostavam de música estrangeira, os valores se alastraram para todas as regiões brasileiras, em todos estratos sociais e até faixas etárias.

O negócio é que durante os anos 70 e 80, não tinha esse papo de show internacional toda semana, Internet, TV a cabo e tudo mais. O Brasil era um País fechado econômica e culturalmente e a importação de produtos e valores culturais custava caro e quando vinha era consumida vorazmente.  O jeito era o pessoal se virar com o que tinha e inventar o resto. Pra se ter uma idéia (agradeço ao meu pai pela informação), até os discos dos Beatles saíam na ordem errada, imagina o resto.

À brasileira

Mesmo assim, o hippismo acabou virando um fenômeno daqui do Brasil e que perdura e perdurará por muito tempo ainda (ontem, inclusive, eu vi um monte de hippongos de uns 15 ou 16 anos em um show aqui em Pouso Alegre). Os bicho-grilos nem se ligam mais no acid rock ou na música de protesto americana. No máximo curtem a Janis Joplin, o Hendrix, o Lennon,  o Dylan e o Led Zepellin. Aqui, eles preferem abraçar o Raul, o Zé Ramalho, o Zé Geraldo, o Belchior e até alguns novos ídolos como o Ventania.

No interior do País inteiro, é facílimo encontrar esse pessoal. Eles estão em todo canto e não é um fenômeno de uma esfera social. Tem hippie em todas as classes sociais, todas idades, origens, raças.

O que une eles é a vontade de viver uma vida alternativa, que não se apegue tanto ao trabalho, que fique em convívio com a natureza (mesmo que seja uma calçada de cimento) e o protesto contra nossa sociedade. Os bicho-grilos acham que as pessoas vivem uma vida de merda e não desfrutam das coisas mais bonitas e importantes que nos são oferecidas.

Por isso são agentes de um constante protesto contra os produtos de consumo, os modismos e, muitas vezes, até as novidades. Com isso, inclusive, acabam caindo em um discurso conservador de buscar a natureza e abrir mão da sociedade estabelecida. São também defensores do artesanato, da espiritualidade e, em diversos momentos, de um estilo de vida que se aproxima da mendicância. Além, é claro, de adorar tocar as canções do Raul no violão ou "Asa Branca" na flauta doce.

O ideal de uma sociedade alternativa, do sexo livre, de criar os filhos soltos por aí, de vestir pouca roupa e curtir bastante a vida – conversando, nadando na cachoeira, tomando uma cervejinha e fumando um morrão –está na utopia que as músicas deles mostram. A popularidade de tal fenômeno no Brasil é pra mim um mistério. Eu gostaria muito de saber a razão de tanto sucesso. Acho que os bicho-grilos merecem muito mais do que um personagem em um filme. Valeriam ficções, documentários e estudos inteiros. São muito interessantes e acho que a persistência deles em existir e criar um mundo a parte é, no mínimo, uma coisa pra lá de curiosa.

Nunca fui hippongo e, na verdade, já até cultivei um pouco de birra deles no passado. Hoje, simpatizo. E acredito que as pessoas só vão começar a entender o País quando procurarem entender esse tipo de manifestação que se alastra por tudo quanto é canto. Valeu o Zé Elétrico por me fazer pensar isso!



Escrito por Lauro Mesquita às 16h07
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   Apenas um lado da Tropicália


Só Nuggets!?


Coletânea insiste no que o movimento brasileiro tinha de mais internacional e acaba se esquecendo do que ele tinha de melhor

A gravadora britânica Soul Jazz lançou há uns dois meses a coletânea Tropicália – A Brazilian Revolution in Sound. O disco traz um encarte detalhado que pode ajudar muito o estrangeiro que começa a se interessar pelo início da contra-cultura brasileira nos anos 60 – ainda que tenha alguns erros nos nomes dos personagens que criaram o movimento e omita alguns compositores (como Roberto e Erasmo Carlos em "Vou Recomeçar", cantada por Gal Costa).

A opção do selo – célebre por suas seleções de música jamaicana, jazz e pós-punk – foi por canções aparentemente não tão emblemáticas do movimento tropicalista, mas que, de certa forma, aliam a influência do rock psicodélico com exotismos brasileiros "pra gringo ver". É claro que você pode ouvir as essenciais "Domingo no Parque", do Gilberto Gil, "Tropicália", em que Caetano Veloso sintetiza a visão de Brasil do movimento, e "Panis Et Circensis", com Os Mutantes. Além de "Sebastiana", com Gal Costa, "Take it Easy My Brother Charles", com Jorge Ben,  "Bat Macumba", em desnecessárias duas versões, e muito mais.

Ao terminar o disco, no entanto, fica a sensação que a Tropicália era uma resposta verde e amarela ao rock que se fazia em Londres e San Francisco. É só ouvir faixas como "Ave Gengis Khan", dos Mutantes -- com um arranjo de órgão típico de surf music careta pra diabo, mesmo pra época -, o rock clichê de Alfômega ou a brincadeira de Tom Zé em misturar palavras em português com nome de estrelas internacionais em "Jimmy Renda-se".   

Além de "divulgar a produção brasuca ao mundo", o trabalho faz o favor de minimizar grosseiramente um movimento que bebe muito da cultura pop mesmo, mas de uma maneira muito mais diversa e provocativa do que qualquer Jefferson Airplaine ou Cream jamais pensou ser. A coletânea parece preferir o que o tropicalismo oferece de semelhante e reconhecível à música hemisfério Norte. Com isso, corre do que essa geração ofereceu de inovador, visionário e interessante.


A Tropicália se tornou uma realidade consistente no mercado fonográfico brasileiro com o lançamento da coletânea Tropicália ou panis et circensis, em 1968. Era ali que se os artistas vindos da Bahia (Caetano, Gil, Gal Costa e Tom Zé) se uniam ao até então desconhecido grupo de rock paulista, Os Mutantes, à musa da bossa nova, Nara Leão, e ao arranjador vanguardista Rogério Duprat para mostrar uma nova proposta de música brasileira.
 
O grupo era ambicioso e desejava sacudir a música brasileira com uma abordagem irônica e debochada – que retomava a tradição da literatura modernista brasileira, principalmente Oswald de Andrade – e criava canções que citavam a nova realidade urbana do brasileiro com personagens de TV, quadrinhos e do imaginário popular, emoldurados em sons que emulavam da música de vanguarda, às tradições do cancioneiro de apelo popular e, notadamente, o rock e pop – vistos até então como uma invasão estrangeira na música nacional.

Tavam falando de quem?

Com isso, os artistas propõem uma visão de Brasil que parte da referência internacionalizante da bossa nova, mas com um profundo interesse pela Jovem Guarda, pelas exageradas baladas românticas dos anos 50, o tango e a música latina – vistos pelo establishment da época como música de mau gosto estético e politicamente alienada. Os artistas ainda trabalham com elementos da música concreta, eletrônica e dodecafônica. Tudo para embalar uma abordagem extremamente vanguardistas e letras com conteúdos que, a todo momento, tentam dialogar com um Brasil urbano e turbulento, da segunda metade do século XX.

Infelizmente, a fixação estrangeira com o trabalho de Os Mutantes – que, no final, é o único do grupo tropicalista que realmente se preocupava essencialmente em fazer uma música pop atualizada aos moldes das novidades internacionais – e a vontade de "vender" a música brasileira para um público interessado em rock psicodélico acabam por colocar a coletânea da Soul Jazz a milhas de distância da coletânea original de 1968.

A seleção musical revela uma má-vontade espantosa dos gringos de, por meio da Tropicália, tentar entender um pouco melhor o que se sucedia na música brasileira. É até engraçado, uma vez que, no encarte - apoiados pelo "Verdade Tropical", do Caetano Veloso -, a relação da música com o contexto brasuca é ressaltada fortemente. Musicalmente a galera preferiu ir no mais fácil e pular a lição de casa. 

Ao meu ver, a intenção do movimento estava longe do fazer rock com cores típicas. Pelo contrário, a vontade era de interferir diretamente na música brasileira e nas suas convenções. Não era uma tentativa de ser aceito pelo mercado internacional, mas de trazer uma música atualizada também, mas como um processo antropofágico e pop. Uma arte que queria falar universalmente do Brasil, mas para os brasileiros.

Ao ouvirmos a coletânea da Soul Jazz parece que esse pedaço da música do Brasil foi uma invenção do Beck, do Kurt Cobain e do Sean Lennon. Ainda bem que a sensação é errada.



Escrito por Lauro Mesquita às 14h23
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   Phil Minton no Brasil


Singin alone


Com o apoio do British Council, Phil Minton vem ao Brasil para se apresentar em concertos e também ministrar workshops na primeira semana de maio.

 

O cantor é um dos nomes de maior destaque da cena de improvisação livre inglesa. É conhecido por seu trabalho com músicos como John Zorn, Tom Cora, Fred Frith, Roger Turner, Veryan Weston, Alfred Harth, entre outros, além do trabalho teatral com o diretor Mike Figgs. Em 1988, foi premiado como o Melhor Cantor Europeu, pela International Jazz Forum e, em 1991, recebeu o prêmio Cornelius Cardew de composição.


Ele se tornou conhecido por explorar sons pouco convencionais no canto, como os ruídos da boca, da garganta, vocalises e assobios. Trabalha com formas diversas de música, como a canção popular, a composição contemporânea e outras vertentes da experimentação.

 

Programa

Música na MariAntonia - EXTRA com Phil Minton
Dia 3 de maio, às 20h30
Centro Universitário Maria Antonia da USP
R. Maria Antonia, 294 – V. Buarque
Informações 11 3255 7182
Entrada Gratuita

Workshop na União dos Movimentos de Moradia (UMM)
Dia 4 de maio, às 18h.
Rua João de Barros, 76 - Barra Funda
Informações 11 3825 5725
gratuito

Workshop no CEU Inácio Monteiro, organizado pelo Mutirão Paulo Freire
Dia 6 de maio. às 9h.
Rua Barão Barroso do Amazonas, 50 - Cidade Tiradentes
Informações (Mutirão Paulo Freire) 6556 9970
Gratuito


Performance com Miguel Barella, Thomas Rohrer e Patrícia Osses na Oficina Virgilio
Dia 07 de maio às 18h ;
Rua Virgilio de Carvalho Pinto 422 Pinheiros (São Paulo)
(entre a arthur de azevedo e a teodoro sampaio)
Ingresso 5 reais

 

Workshop no Conservatório Estadual de Música de Pouso Alegre Juscelino Kubitschek (CEMPA)
Dia 8 de maio, às 18h.
 Gratuito

Recital no Conservatório Estadual de Música de Pouso Alegre Juscelino Kubitschek (CEMPA) com apresentação solo e improvisação com músicos brasileiros.

Dia 9 de maio, às 20h.
Pouso Alegre - Rua Francisco Sales, 116 - Centro
Informações: (35) 3425-2800.



Escrito por Lauro Mesquita às 12h05
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   A Vida besta

Ando numa pasmaceira desgraçada, resolvi mandar brasa nessa bagaça então. Aidéia é recolher impressões dessa minha vida aqui no Sul de Minas. Um interior sem essa coisarada toda que se convencionou a pensar que tem no interior.

Lindo, falei umas coisas e não falei coisa alguma. Bom começo né?


Escrito por laurosmesquita às 11h48
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