Direto de PIEI
   Já sei um nome: Partido dos Janotas

OlhaAcabadas as eleições e o mercado de especulações ferve mais que panela de siderúrgica. Todo mundo querendo puxar sardinha para o próprio prato. Uma das mais engraçadas foi lançada pelo ator Carlos Vereza no programa do Jô Soares e parece ter sido comprada pela grande mídia: a de que o verdadeiro nome na esquerda brasileira seria o ex-prefeito e agora governador de São Paulo José Serra.


Esse “medalhão da esquerda moderna” estaria agora disposto a formar um novo partido com membros do PPS (a quinta coluna do PFL), do PP gaúcho (???), de partidecos como PV, PHS, PMN e insatisfeitos do PSDB, PMDB e até mesmo do PT. A tônica da agremiação seria a de um “nacionalismo moderno”. Devo andar meio desinformado, mas para mim, construir rampas antimendigos e trabalhar em uma clara política contra gays é bem diferente do que se caracteriza como esquerda moderna. Mas vamos lá. Pensemos de onde saiu essa conversa mole.


É engraçado, mas a história começou a aparecer já na época da escolha tucana sobre qual seria o candidato à presidência pelo partido. Embalados pelo plebiscito das armas e por uma pesquisa de jornal pela qual a maior parte dos brasileiros se dizia de direita, Alckmin usou esse argumento para mostrar que seria um candidato com maior potencial de crescimento.


Ao final do primeiro turno, chegou até se levantar a hipótese de uma “onda de direita” (Veja aqui também). Que seria explicada  pelo crescimento do candidato “da direita da direita” no Brasil  e da vitória do Alan Garcia, no Peru, do PAN  no México e de Álvaro Uribe, na Colômbia – o Alckmin que deu certo.


Com o resultado contabilizado nas urnas eletrônicas, o papo deu água e o segundo turno da eleição foi marcado pela discussão de quem seria mais capaz de trabalhar em favor das classes mais pobres ¬ os grandes eleitores de 2006. A moral e os bons costumes dos que exigiam o tal Brasil decente ficou no discurso no Baixo Leblon e em Higienópolis e com “ex-petistas decepcionados” (não sei como o PT perdeu tantas eleições no passado, tamanha é a quantidade de ex-petistas – deve ser por isso que o Zé Dirceu decidiu se dedicar a outra base eleitoral, os ex-petistas não funcionavam muito na urna, pelo jeito).



Escrito por Lauro Mesquita às 16h25
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Urnas apuradas, discurso inalterado


A princípio a direitona continuou desesperada escrevendo artigos que comparam o “voto de qualidade do Brasil moderno” com a “opção irrefletida dos grotões”. Para essas pessoas, os eleitores mais pobres haviam votado por causa de uma esmolinha que o Lulinha Paz e Amor entregava mensalmente a eles. Para se ter uma idéia, o sociólogo gagá Hélio Jaguaribe escreveu nos últimos dias que os brasileiros mais pobres eram “incapazes de um entendimento mínimo dos problemas nacionais, ficando a atenção desses brasileiros voltada, exclusivamente, a questões atinentes à imediata sobrevivência”.


Alguns dias de descanso do grupo oposicionista deve ter feito eles meditarem que a desqualificação de dois terços do eleitorado pode até dar certo no restaurante francês da Zona Oeste ou em um cabeleireiro no Morumbi, mas não é a melhor estratégia de se vencer um pleito. Afinal se nos determos aos dados aprenderemos que a eleição de Lula vai muito mais longe do que os bem-sucedidos programas sociais.


O Amazonas, por exemplo, deu 86% dos votos a Lula por causa da explosão de crescimento na Zona Franca.  Em 2005, a região teve o melhor desempenho de sua história, registrando um crescimento de 35,83% em relação ao ano anterior e superando em muito as projeções iniciais de US$ 16 bilhões. As exportações foram 86,30% a mais do que em 2004, chegando a US$ 2,02 bilhões, e o número de empregos superou a marca dos 100 mil postos de trabalho.  Ou seja, votaram em Lula pelos resultados que sua gestão apresentou no Estado e não por questão de desespero e primeira necessidade.


Lula ganhou em Minas Gerais com 3, 2 milhões de votos a mais do que Geraldo Alckmin (65% a 35%). Ganhou no Rio de Janeiro com 3,1 milhões de votos a mais do que Alckmin (70% a 30%).  Lula ganhou em Goiás (55% a 45%) e quase empatou no Paraná (49% a 51%) e em São Paulo (48% a 52%). Todos Estados “marcados pela necessidade de assistencialismo e com parcas atividades econômicas”.


É claro que o leitor tucano pode me questionar sobre a votação maciça do Nordeste. A região concentra o maior número de assistidos pelos programas sociais do governo, assim como os maiores bolsões de pobreza do País. Sem coincidência alguma, lá, o presidente teve a maciça votação de 77% . Pode-se falar o que for, mas nessas localidades o programa de implantação de cisternas, o “Luz para todos” e o Bolsa Família tiveram efeitos que só agora recebem atenção devida da oposição.


O primeiro é a libertação dos eleitores para os mandonismos locais. É óbvio que a prática do clientelismo eleitoral continua em voga não só no semi-árido mas em todas as localidades brasileiras, mas sem dúvida a institucionalidade do Bolsa Família libertou boa parte da população dos desmandos locais e introduziu camadas da população no debate político, na medida em que essa parte da população passa a reivindicar a ação do Estado em políticas públicas aos mais pobres. O Blog do Alon traz uma declaração de uma senhora pernambucana que acho que diz muito sobre a maciça escolha por Lula no Nordeste:


“Sabe, deputado, nós aqui vamos votar no Lula por uma razão bem simples. Se ele ganhar, nossos filhos e nossos netos vão conseguir emprego e estudo aqui mesmo. Nós vamos poder reunir a família toda semana ou no máximo todo mês. Mas se o Lula perder só vai ter emprego mesmo é em São Paulo. E aí a gente só vai se ver no Natal, isso se as crianças tiverem dinheiro para comprar a passagem de ônibus”.


Este tipo de reação fez com que a esquerda fosse eleita em sete dos nove estados nordestinos.


A criação de oportunidades econômicas e o crescimento econômico nas regiões do nordeste são outros trunfos do governo atual. O pior é que são ações fáceis de serem feitas e nem um pouco caras. Por que não haviam sido feitas até então? Pela absoluta falta de interesse dos governantes anteriores. Não há dados oficiais, mas segundo o coordenador de contas regionais do IBGE Frederico Gonçalvez Cunha,  “as regiões Norte e Nordeste tiveram um desempenho melhor do que a média”, mas Cunha diz que não se pode creditar a mudança somente aos programas sociais, mas também a um aumento da industrialização em alguns Estados, como a Bahia.



Escrito por Lauro Mesquita às 16h22
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Herança maldita


Outro fator decisivo foi a “herança maldita” que FHC lega aos tucanos e a todos que dele se aproximam. Era só o presidente abrir a boca que Alckmin despencava. É só lembrar que o melhor momento do Chuchu em toda campanha foi quando o ex-presidente ficou em Portugal. Mesmo com toda a atenção que mídia dedica ao ex-príncipe dos sociólogos, ninguém convence o brasileiro que o governo dele foi desastroso e que a figura tão impecável aos olhos dos articulistas brasileiros é defenestrada por grande parte da população.


Não é sem menos que Serra decidiu pular do barco. Aparecer ao lado desse fardo pesado e enfeitado pode sujar a barra para as próximas eleições. Fora isso, o PSDB virou um balaio de gatos raivosos em que as lideranças são enganadas pela mídia. Têm a certeza, desde já, de que serão eleitas à presidência com um passe de mágica da família Civita. É bom lembra-los que, até dois anos atrás, Fernando Henrique (o defenestrado) ainda era considerado um candidato competitivo pelos periódicos paulistas.


Serra começa a perceber que o partido precisa se distanciar do discurso neoliberal e privatizante que marcou os dois mandatos do sociólogo mais engraçado do Brasil, assim como qualquer político que deseja ser eleito para qualquer cargo executivo. É bom lembrar que ele sempre teve posicionamento crítico em relação ao wannabe brazilian king Cardoso. Mas isso só o coloca à esquerda do seu partido e do PFL. Se insistir no discurso moralista e da utopia do possível do Gabeira (que, olhe só, virou modelo do panfleto Veja), vai virar a reedição do Geraldo Alckmin de sunga de crochê. Se abraçar o discurso da Heloísa Helena corre o risco de virar um Enéas sem bandeira vermelha nas costas.


A oposição tem de aprender que perdeu. E estar consciente de que a grande imprensa e a indústria de mídia esteve com eles o tempo todo. Mesmo assim a opinião pública foi maciçamente contrária à mensagem passada por tucanos e pefelistas. E não vai ser  mais um partido de esquerda com janotas incensados pela classe média orientada pelas revistas e programas de TV que vai mudar isso.

Longe de mim querer ajudar tucanos assumidos (do PSDB) e enrustidos (como a camarilha de Roberto Freire), mas como meu irmão, Tiago Mesquita escreveu, a oposição deve aprender que “foi a militância que ganhou essas eleições, não as cúpulas partidárias. Mais do que isso, esses partidos de esquerda feitos só por políticos, como o P-Sol e esse partido proposto pelo Serra não têm base social e nem terão. Tentam moldar uma alternativa que não tenha nenhum pouco de graxa nas mãos”. 


O meu amigo Fabiano Scodeler, colaborador do diretodepiei.zip.net, também fala muito bem sobre essa mania nacional das classes dirigentes (o que incluem políticos, artistas de TV bem-estabelecidos e ricos) de se posicionarem como ‘o novo’, 'o superior', sem arredarem o pé de suas convicções:“Esse novo partido (do Serra) é mais uma modalidade desse esporte tipicamente brasileiro de se mudar os nomes e continuar a mesma coisa, vide Arena-PDS-PPB-PP. Troca-se de legenda, de nome, mas não se apresenta nada que possa ser tratado como projeto nacional, nada de novo. Ou seja, não se muda porque pode ser melhor para o país, mas para poder se dar melhor em uma disputa eleitoreira, tão-somente para isso”.



Escrito por Lauro Mesquita às 16h19
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